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História dos Azulejos

Os azulejos são uma das mais antigas formas de arte decorativa. Aliado à arquitetura, foi sempre muito utilizado devido à sua durabilidade, propriedades técnicas e riqueza visual. O nome “azulejo” deriva da palavra árabe “Al-zulaij”, que significa pequena pedra polida.

A história dos azulejos remete às primeiras civilizações. Sabe-se que os egípcios no quarto milênio antes de cristo já decoravam suas casas com tijolos vidrados de azul (imagem 1). Os tijolos esmaltados também foram muito utilizados na Mesopotâmia, um exemplar incrível de sua aplicação é a Porta de Ishtar da Babilônia (imagem 2). Originalmente considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, ela foi construída no quinto século antes de cristo, e decorada com leões, touros e dragões em relevo com um forte azul vidrado no fundo.

Os impérios muçulmanos foram responsáveis pela disseminação do uso da cerâmica como revestimento de paredes. Apesar de inicialmente utilizarem mosaicos imitando os bizantinos e criando desenhos com pedaços de pedra, logo sob influência da cerâmica chinesa, acessível através da rota da seda, eles começaram a usar azulejos. Estes, agora já menos espessos, foram amplamente utilizados na arquitetura islâmica, em ambientes internos e externos, como nos monumentais edifícios públicos de Isfahan, no Irã (imagem 3), que foi capital do império Safávida no século dezesseis.

Durante o Império Otomano ficaram famosos os azulejos de Iznik, cidade turca perto de Istanbul, onde eram produzidos azulejos com um brilho especial devido às suas camadas de quartzo, e utilizadas tonalidades de vermelho nunca antes atingidas. Os azulejos eram basicamente decorados com motivos florais, geométricos e caligrafia árabe, devido à não representação de figuras humanas por parte da arte islâmica. Os azulejos de Iznik (imagem 4) acabaram sendo muito utilizados nas mesquitas por ajudarem a ressoar o som das rezas e darem uma sensação de amplidão do espaço, também tirando a impressão de peso da estrutura.

Na Península Ibérica os azulejos foram introduzidos pelos Mouros, e a qualidade do trabalho realizado nessa época pode ser vista no palácio Allambra, construído pelos reis Nasrid de Granada nos séculos 13 e 14, última dinastia islâmica da região. Os azulejos utilizados, em diversos formatos, revestem as paredes compondo lindos desenhos geométricos coloridos (imagem 5).
Mas foi em Portugal a partir do século 16 que a arte azulejar foi totalmente abraçada e se transformou em expressão cultural nacional. Feitos já no formato quadrangular, geralmente com quatorze centímetros, os azulejos foram amplamente utilizados em prédios públicos, privados e religiosos, revestindo paredes internas e fachadas (imagem 6).

Muito populares no século 17, os azulejos holandeses de Delft eram geralmente decorados com figuras centrais isoladas e delicados motivos nas quatro extremidades que davam um efeito de união quando compostos. Esses azulejos sofreram grande influência da importação de porcelana chinesa Ming pela Companhia das Índias Holandesa, que estava na moda na época e levou aos fabricantes de azulejos a imitar a sua coloração azul e branca (imagem 7).

Já no Brasil colônia os azulejos portugueses e holandeses foram muito bem recebidos e incorporados à nossa cultura, tanto por suas características decorativas quanto técnicas, pois os azulejos são impermeáveis protegendo da umidade, são fáceis de limpar e refletem o sol garantindo melhor conforto térmico nas fachadas. É possível encontrar belos exemplos da época colonial principalmente no Norte, Nordeste e Rio de Janeiro, como os lindos painéis setecentistas da pequena Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro (imagem 8).

A partir dos anos trinta a renovação da arquitetura brasileira reavivou o uso dos azulejos, especialmente devido ao movimento neocolonial, que buscava retomar a utilização de materiais locais. Em 1940 Paulo Rossi Osir criou a Osiarte, empresa de azulejaria que realizou incríveis trabalhos como o painel de Portinari no Ministério da Educação e Saúde Pública no Rio de Janeiro (imagem 9), projeto de Le Cobusier concluído em 1945 com a colaboração de Lucio Costa, Niemeyer e Reidy, entre outros.

Com Athos Bulcão, carioca que havia trabalhado com Portinari no mural de São Francisco de Assis na Pampulha, o azulejo ganhou formas geométricas simples e foi utilizado perfeitamente integrado à arquitetura moderna. Trabalhando com Oscar Niemeyer a partir de 1955, Athos revestiu Brasília com seus lindos painéis ritmados, que continuam modernos até hoje (imagem 10).

 

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